Erro Médico ou falha do sistema? A verdade por trás da responsabilidade em saúde

Erro Médico ou falha do sistema? A verdade por trás da responsabilidade em saúde

Catarina Ramos Catarina Ramos · 20/02/2025 · 7 min leitura

Erro médico é sempre negligência do médico? A resposta é não, nem sempre.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, muitos erros nos cuidados em saúde ocorrem devido a falhas que envolvem médicos, outros profissionais de saúde, processos internos dos próprios hospitais e até os próprios pacientes, ou seja, são erros do sistema e não apenas do médico.

No mundo da saúde, a linha entre um erro humano e uma falha sistémica pode ser tão fina que dificulta a distinção de responsabilidades. Entender esta diferença é fundamental para garantir a segurança dos pacientes e promover um sistema de saúde mais eficiente e justo. 

Assista ao vídeo da nossa médica coordenadora, Ana Rita Pereira, e entenda por que é que a responsabilidade vai além do médico e afinal, como podemos prevenir esses erros.

O que é um erro médico?

Um erro médico ocorre quando uma ação, ou a sua ausência, resulta num resultado diferente do esperado nos cuidados de saúde. Importa referir que não é obrigatoriamente sinónimo de negligência. Em muitas situações uma peritagem médica independente pode ser necessária para aferir a responsabilidade.

Exemplos de erro médico:

Diagnóstico incorreto ou atrasado

Erro na administração de medicamentos

Falha em comunicar informações relevantes

O que caracteriza uma falha do sistema? 

Uma falha do sistema está relacionada com deficiências nos processos internos, como a organização, tecnologia ou formação das equipas. Estas falhas criam condições para que os erros ocorram.

Exemplos de falha do sistema:

Ausência de protocolos claros

Falhas de comunicação entre equipas

Equipamentos obsoletos ou desatualizados

Quem são os responsáveis?

A responsabilidade em casos de erro médico ou falha do sistema pode recair sobre diferentes partes:

Profissionais de saúde: têm a responsabilidade de seguir boas práticas clínicas.

Pacientes: também têm um papel ativo ao fornecer informação correta e seguir orientações médicas.

Entidades de saúde (hospitais, clínicas): têm o dever de garantir condições de trabalho e formação adequadas.

Profissionais de saúde

Os médicos, enfermeiros e demais profissionais desempenham um papel essencial na prevenção de erros. Alguns dos fatores que contribuem para falhas incluem:

Sobrecarga de trabalho e falta de tempo para cada paciente

Comunicação ineficaz entre equipas médicas

Falta de atualização profissional

Burnout médico, que afeta a tomada de decisões

Pacientes 

Os pacientes também desempenham um papel importante na segurança do seu próprio tratamento. Algumas falhas ocorrem devido a:

Falta de informação sobre a sua condição de saúde

Medo ou dificuldade em expressar preocupações

Passividade na tomada de decisões sobre tratamentos

Iliteracia em saúde, ou seja, falta de conhecimento e competências em compreender informações sobre saúde

Entidades de saúde (hospitais, clínicas)

As instituições de saúde têm um papel fundamental na prevenção de erros e frequentemente falham devido a:

Protocolos de segurança ineficientes

Uso inadequado da tecnologia para a gestão da informação

Falhas na comunicação entre os diferentes departamentos

Falta de cultura de segurança do paciente

Como evitar o erro em cuidados de saúde? Que medidas adotar para um sistema de saúde mais seguro?

A prevenção do erro médico exige um esforço conjunto de todos os envolvidos nos sistemas de saúde.

Profissionais de saúde

Participação em cursos de educação continuada

Implementação de práticas baseadas em evidências científicas

Trabalho em equipa e melhoria na comunicação interna

Pacientes

Procurar informações sobre a sua condição médica

Fazer perguntas aos médicos e discutir opções de tratamento

Relatar qualquer efeito adverso ou preocupação com medicação

Entidades de saúde (hospitais, clínicas)

Investir em protocolos de segurança hospitalar

Analisar eventos adversos para evitar reincidência

Usar inteligência artificial e tecnologia para melhorar diagnósticos e gestão de pacientes

Erro médico ou erro sistémico: a importância da mudança do paradigma

Para reduzir erros médicos, precisamos de mudar a abordagem com algumas atitudes como:

Menos culpabilização individual e mais análise abrangente dos processos

Mais investimento em segurança hospitalar

Maior envolvimento dos pacientes no seu próprio tratamento

Ao reconhecer que o erro médico é um problema sistémico, podemos criar um ambiente de cuidados de saúde mais seguro para todos.

Como agir perante um erro médico?

Segundo a Organização Mundial de Saúde, muitos erros nos cuidados em saúde ocorrem devido a falhas que envolvem médicos, outros profissionais de saúde, processos internos dos próprios hospitais e até os próprios pacientes, ou seja, são erros do sistema e não apenas do médico.

Apesar de nem todos os eventos adversos na saúde serem causados por negligência individual, a identificação correta entre erro médico e falha sistémica é essencial para proteger os direitos dos pacientes e melhorar continuamente a qualidade dos cuidados prestados.

Se acredita ter sido vítima de erro médico, é fundamental conhecer os seus direitos e perceber que opções tem ao seu dispor.

Na Honnus, realizamos uma análise independente de processos de responsabilidade médica, com o objetivo de avaliar se existem fundamentos para a emissão de um parecer técnico que possa contribuir para sustentar um eventual processo judicial.

Através de peritagens médicas e consultoria especializada, ajudamos a esclarecer situações que possam envolver erro médico ou falhas na prestação de cuidados de saúde. Se precisar de apoio para avaliar o seu caso, fale connosco.

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