Erro Médico ou falha do sistema? A verdade por trás da responsabilidade em saúde
Erro médico é sempre negligência do médico? A resposta é não, nem sempre.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, muitos erros nos cuidados em saúde ocorrem devido a falhas que envolvem médicos, outros profissionais de saúde, processos internos dos próprios hospitais e até os próprios pacientes, ou seja, são erros do sistema e não apenas do médico.
No mundo da saúde, a linha entre um erro humano e uma falha sistémica pode ser tão fina que dificulta a distinção de responsabilidades. Entender esta diferença é fundamental para garantir a segurança dos pacientes e promover um sistema de saúde mais eficiente e justo.
Assista ao vídeo da nossa médica coordenadora, Ana Rita Pereira, e entenda por que é que a responsabilidade vai além do médico e afinal, como podemos prevenir esses erros.
O que é um erro médico?
Um erro médico ocorre quando uma ação, ou a sua ausência, resulta num resultado diferente do esperado nos cuidados de saúde. Importa referir que não é obrigatoriamente sinónimo de negligência. Em muitas situações uma peritagem médica independente pode ser necessária para aferir a responsabilidade.
Exemplos de erro médico:
• Diagnóstico incorreto ou atrasado
• Erro na administração de medicamentos
• Falha em comunicar informações relevantes
O que caracteriza uma falha do sistema?
Uma falha do sistema está relacionada com deficiências nos processos internos, como a organização, tecnologia ou formação das equipas. Estas falhas criam condições para que os erros ocorram.
Exemplos de falha do sistema:
• Ausência de protocolos claros
• Falhas de comunicação entre equipas
• Equipamentos obsoletos ou desatualizados
Quem são os responsáveis?
A responsabilidade em casos de erro médico ou falha do sistema pode recair sobre diferentes partes:
• Profissionais de saúde: têm a responsabilidade de seguir boas práticas clínicas.
• Pacientes: também têm um papel ativo ao fornecer informação correta e seguir orientações médicas.
• Entidades de saúde (hospitais, clínicas): têm o dever de garantir condições de trabalho e formação adequadas.
Profissionais de saúde
Os médicos, enfermeiros e demais profissionais desempenham um papel essencial na prevenção de erros. Alguns dos fatores que contribuem para falhas incluem:
• Sobrecarga de trabalho e falta de tempo para cada paciente
• Comunicação ineficaz entre equipas médicas
• Falta de atualização profissional
• Burnout médico, que afeta a tomada de decisões
Pacientes
Os pacientes também desempenham um papel importante na segurança do seu próprio tratamento. Algumas falhas ocorrem devido a:
• Falta de informação sobre a sua condição de saúde
• Medo ou dificuldade em expressar preocupações
• Passividade na tomada de decisões sobre tratamentos
• Iliteracia em saúde, ou seja, falta de conhecimento e competências em compreender informações sobre saúde
Entidades de saúde (hospitais, clínicas)
As instituições de saúde têm um papel fundamental na prevenção de erros e frequentemente falham devido a:
• Protocolos de segurança ineficientes
• Uso inadequado da tecnologia para a gestão da informação
• Falhas na comunicação entre os diferentes departamentos
• Falta de cultura de segurança do paciente
Como evitar o erro em cuidados de saúde? Que medidas adotar para um sistema de saúde mais seguro?
A prevenção do erro médico exige um esforço conjunto de todos os envolvidos nos sistemas de saúde.
Profissionais de saúde
• Participação em cursos de educação continuada
• Implementação de práticas baseadas em evidências científicas
• Trabalho em equipa e melhoria na comunicação interna
Pacientes
• Procurar informações sobre a sua condição médica
• Fazer perguntas aos médicos e discutir opções de tratamento
• Relatar qualquer efeito adverso ou preocupação com medicação
Entidades de saúde (hospitais, clínicas)
• Investir em protocolos de segurança hospitalar
• Analisar eventos adversos para evitar reincidência
• Usar inteligência artificial e tecnologia para melhorar diagnósticos e gestão de pacientes
Erro médico ou erro sistémico: a importância da mudança do paradigma
Para reduzir erros médicos, precisamos de mudar a abordagem com algumas atitudes como:
• Menos culpabilização individual e mais análise abrangente dos processos
• Mais investimento em segurança hospitalar
• Maior envolvimento dos pacientes no seu próprio tratamento
Ao reconhecer que o erro médico é um problema sistémico, podemos criar um ambiente de cuidados de saúde mais seguro para todos.
Como agir perante um erro médico?
Segundo a Organização Mundial de Saúde, muitos erros nos cuidados em saúde ocorrem devido a falhas que envolvem médicos, outros profissionais de saúde, processos internos dos próprios hospitais e até os próprios pacientes, ou seja, são erros do sistema e não apenas do médico.
Apesar de nem todos os eventos adversos na saúde serem causados por negligência individual, a identificação correta entre erro médico e falha sistémica é essencial para proteger os direitos dos pacientes e melhorar continuamente a qualidade dos cuidados prestados.
Se acredita ter sido vítima de erro médico, é fundamental conhecer os seus direitos e perceber que opções tem ao seu dispor.
Na Honnus, realizamos uma análise independente de processos de responsabilidade médica, com o objetivo de avaliar se existem fundamentos para a emissão de um parecer técnico que possa contribuir para sustentar um eventual processo judicial.
Através de peritagens médicas e consultoria especializada, ajudamos a esclarecer situações que possam envolver erro médico ou falhas na prestação de cuidados de saúde. Se precisar de apoio para avaliar o seu caso, fale connosco.
Catarina Ramos
Marketeer